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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

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sábado, 21 de novembro de 1992

BARREIRA DO TEMPO

Ainda que girando
fosse roleta,
não lhe concederia a sorte
e, sim, de números haveria de se perder.


Antes que me esqueça,
por ter sido esquecido,
passaram-se muitos anos,
contá-los faz o tempo diminuir.


Um botão de rosa desabrocha,
faz-se flor bela e monumental
assim como toda menina
um dia há de ser mulher.

ALÉM-DO-HOMEM

Maior seria a ira
quanto maior a vontade
de se aprofundar.
De imaginar soaria aos gritos
a palavra potência.

O querer pelo não querer,
o buscar pelo não buscar,
o vôo alto além do desejo,
a descida ao fundo,
encontro com o caos.

Com que passos?
Por qual saída?
Um caminho, mil lugares.
Basta um motivo.
Soaria bem mais alto
com os ouvidos abertos.

Maior seria a conquista
quanto maior a luta,
a vontade de se aprofundar,
de imaginar soaria aos gritos
a palavra potência.

Do abismo do conhecimento
ao concreto estado do saber
como uma ponte a permitir-se,
transportar-se além abismo,
fundir-se com o caos.

Não há passos.
Não há saídas.
Um caminho, mil lugares.
Basta um motivo.
Soaria bem mais alto
com os ouvidos abertos.

CORES

A cor é azul.
A eternidade aparente,
às vezes tão próxima,
quase sempre tão longe.

A cor é verde.
A esperança que nunca morre,
a natureza que está se acabando,
a grama onde repousamos.

A cor é rosa.
Tão dócil e sensível,
tão forte e decidida,
a mulher neste mundo machista.

A cor é branca.
A pomba livre a voar,
os apelos de paz,
a canção dos loucos ao luar.

NUA MAGIA

Lua cheia
lua bela
lua, luar.

Diz-me o segredo da tua beleza
que por mais que te admire
não te sacrifico
como sacrificamos o amor todo dia.

Tu é outra história,
é amor de várias faces.
O romântico, o louco, o racional,
quem de ti não se banhou?

LIMITES

Uma cor, um luar
um farol, um olhar
uma voz, um trovão
uma mente, um coração
uma criança, um velho
uma noite, um dia.

De dia um caminhar
de noite um sonhar
na guerra um soldado
na paz um homem
na vida muitas portas a se abrirem
na morte uma fronteira a passar.

Uma árvore, uma construção
uma casa, um portão
um muro, um obstáculo
meu corpo, meu porão da alma.

INFINITO SER

A última palavra
soluçada ao vento
como um clamor divino
um simples apelo humano.

O ar matutino,
a brisa no rosto pálido
a vontade de seguir,
um homem contra seu karma.

Uma flecha corta,
riscando seu traço,
um filete de sangue,
a marca no peito.

A vida se esvaindo
como que saindo em etapas,
a memória em turbilhão,
uma lágrima escapa ao olho.

A morte leve,
o fechar das pálpebras,
tombar completo,
união final.

O laço atado,
enfim fechado o ciclo
o espírito se eleva,
agora pronto para viver.

PURUBA

Mar e praia,
............praia e sol,
.........................sol e terra,
..................................terra e lua,
...............................................lua e mar.
........................................................Mar e sol,
................................................sol e lua,
.................................lua e praia,
.................praia e terra,
terra e mar.

MESSIAS

Recebi a mensagem do homem,
que dizia ser filho do homem.
Falou da luz e das trevas,
da verdade e da mentira,
mostrou-me as mãos
e o livro que trazia.


Leu uma história,
repetiu em poema,
narração e parábola,
chamou-me de Heródes,
Maomé, Hitler e Gandhi.


Tomou um veneno
oferecendo-me um cálice.
Tombou morto de overdose,
sua palidez desfigurou-lhe
o rosto.

LIVRE

Há sempre um sonho
que nasce ao despertar,
trazendo mais luz,
um sopro de euforia.


Trafegando entre as ruas
incertas da realidade,
deslizando num escorregador
feito criança solta ao tempo.


Crescer, gerar, dar vida.
Unir-se, gota d' água ao oceano
pensar como rei de nada
ser nada de ninguém.


Portas, fronteiras abrir.
Ultrapassar, cavalo de trote macio.
Contínuo, inexplicado,
de trote macio.


A cada despertar
um sonho, outro dia.
Como rei de nada
ser nada de ninguém.

ALÉM DE MIM

Olhe aqui,
dentro além dos meus olhos.
Não procure entender.


Olhe aqui,
por trás do meu sorriso.
Não procure entender.


Vamos ser somente
homem e mulher.
Não procure entender.



Versando - Um pequeno ensaio sobre a vida e outras coisas

II


Chuva cósmica,
antena parabólica.
Mente retórica,
suave à luz da lua.

-0-

Dissidentes e renegados
viajam de outros mundos,
nas galáxias dos meus sonhos.

-0-

As noites são como crianças aladas.
Meigas, somos puros se meigos somos noite.
Livres, voamos num instante noite.
Noite, somos crianças aladas.

UMA CHANCE À PAZ



EM NOME DA BOÊMIA