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sexta-feira, 31 de outubro de 2008
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Carlos Wovst,
Paulo Wovst,
Wallace Puosso
sábado, 21 de novembro de 1992
ALGUNS
Alguns nascem
pra falar, falar, falar,
outros só ouvem.
Alguns ouvem e sabem
o que estão ouvindo
outros, nem tanto.
Alguns nascem
pra amar, sofrer, amar,
outros, vivem sozinhos.
Alguns se amam
e conseguem amar com isso.
Outros, sofrem sem saber.
Alguns nascem
pra viver, viver, viver,
outros, se acomodam.
Alguns vivem a vida
no que ela tem de melhor.
Outros, se alienam.
Uns nascem pra vencer,
outros pra perder.
Alguns lutam
e a maioria, tem medo...
pra falar, falar, falar,
outros só ouvem.
Alguns ouvem e sabem
o que estão ouvindo
outros, nem tanto.
Alguns nascem
pra amar, sofrer, amar,
outros, vivem sozinhos.
Alguns se amam
e conseguem amar com isso.
Outros, sofrem sem saber.
Alguns nascem
pra viver, viver, viver,
outros, se acomodam.
Alguns vivem a vida
no que ela tem de melhor.
Outros, se alienam.
Uns nascem pra vencer,
outros pra perder.
Alguns lutam
e a maioria, tem medo...
G a N g R e N a G e M
A peça.
A parte oca na boca do céu
da escuridão do dia-a-dia e noite,
o açoite no rolo da Máquina.
Um aparte no infinito contorno
da bandeira na beira do mastro.
A peça.
A parte fosca e tosca
no oco do céu da boca
que engole a gula do sistema,
mas ninguém se dá conta.
Tudo o todo aponta na verdade
o vício ilícito de um mesmo esquema.
A peça.
Uma fresta é o que resta
da vontade da verdade de viver,
mas ninguém parece notar:
estão muito ocupados prá pensar...
A parte oca na boca do céu
da escuridão do dia-a-dia e noite,
o açoite no rolo da Máquina.
Um aparte no infinito contorno
da bandeira na beira do mastro.
A peça.
A parte fosca e tosca
no oco do céu da boca
que engole a gula do sistema,
mas ninguém se dá conta.
Tudo o todo aponta na verdade
o vício ilícito de um mesmo esquema.
A peça.
Uma fresta é o que resta
da vontade da verdade de viver,
mas ninguém parece notar:
estão muito ocupados prá pensar...
ANTROPOFAGIA
O homem
(no sentido masculino de ser)
é antropofágico
por força de sua
própria natureza humana.
Ele come.
Isso acaba definindo
todo o seu comportamento
de canibal psicológico.
(no sentido masculino de ser)
é antropofágico
por força de sua
própria natureza humana.
Ele come.
Isso acaba definindo
todo o seu comportamento
de canibal psicológico.
PASSADO NUBLADO
Esta noite
dormi embalado pela chuva
que caía muda
pela dissonância surda
das paredes do meu quarto
que guardava pedaços
de tristeza e alegria
e do passado que um dia
nunca foi tão meu.
Esta noite
acordei assustado
e você já havia se mudado
e me deixado sozinho
embalado pela chuva que caía
através do caminho
de espinhos e carinhos
de um passado confuso
que sempre foi teu.
dormi embalado pela chuva
que caía muda
pela dissonância surda
das paredes do meu quarto
que guardava pedaços
de tristeza e alegria
e do passado que um dia
nunca foi tão meu.
Esta noite
acordei assustado
e você já havia se mudado
e me deixado sozinho
embalado pela chuva que caía
através do caminho
de espinhos e carinhos
de um passado confuso
que sempre foi teu.
SETE DE SETEMBRO
A bandeira tremulava
solitária na avenida
no Dia da Independência.
O povo todo assistia
sem entender o que via;
Ninguém estava ali
por ser patriota:
É que não tinham nada,
absolutamente nada
prá fazer em casa...
solitária na avenida
no Dia da Independência.
O povo todo assistia
sem entender o que via;
Ninguém estava ali
por ser patriota:
É que não tinham nada,
absolutamente nada
prá fazer em casa...
A ESPERA
O sol
a lua
o sol
a lua
o sol
a lua
o sol
a lua
a lua
A lua...
Por onde
andará você?
(Daqui a pouco,
vai que dá um eclipse,
e aí...
Aí é que eu
não te acho mais...)
a lua
o sol
a lua
o sol
a lua
o sol
a lua
a lua
A lua...
Por onde
andará você?
(Daqui a pouco,
vai que dá um eclipse,
e aí...
Aí é que eu
não te acho mais...)
A "VIAGEM" DOS DEDOS
Será que os dedos
do ostracismo e da hipocrisia
passaram sem dó a mão
pelo cú da poesia
ou será que foram fundo
e encheram de lógica
a elegia caótica
desse cú de mundo?
do ostracismo e da hipocrisia
passaram sem dó a mão
pelo cú da poesia
ou será que foram fundo
e encheram de lógica
a elegia caótica
desse cú de mundo?
CRESCENTE E MINGUANTE
Aos primeiros raios de manhã
de um recomeço de vida
cobri ternamente teu corpo de seda
com a luz acolhedora do sol.
Teus cabelos de raro ouro brilharam
esparramados por entre fronhas de
ainda mais dourados.
E assim, enquanto tu dormias,
sorrindo tranqüila como menina-ninfeta,
acariciei e beijei-te bem devagar.
Contornei de desejos
tuas longas esguias curvas provocantes,
demarcadas de meio-tom moreno, ameno
à meia luz da manhã
de um começo de vontade
E tu foste se acendendo aos poucos,
pequenina flor frágil, forte e tenra carne
envolta sonolenta numa terna cantiga de ninar.
Encheu-se de viva-luz.
Teus pelos dourados de desejo
arrepiaram-se com prazer indisfarçável,
incontrolável, entre lençóis e lençóis.
E você se entregou, sorrindo, malícia,
sonhando acordada, cheia de sedução.
E, aos primeiros raios da manhã
de um começo de vida,
amei-te inteira.
Inteira te amei.
de um recomeço de vida
cobri ternamente teu corpo de seda
com a luz acolhedora do sol.
Teus cabelos de raro ouro brilharam
esparramados por entre fronhas de
ainda mais dourados.
E assim, enquanto tu dormias,
sorrindo tranqüila como menina-ninfeta,
acariciei e beijei-te bem devagar.
Contornei de desejos
tuas longas esguias curvas provocantes,
demarcadas de meio-tom moreno, ameno
à meia luz da manhã
de um começo de vontade
E tu foste se acendendo aos poucos,
pequenina flor frágil, forte e tenra carne
envolta sonolenta numa terna cantiga de ninar.
Encheu-se de viva-luz.
Teus pelos dourados de desejo
arrepiaram-se com prazer indisfarçável,
incontrolável, entre lençóis e lençóis.
E você se entregou, sorrindo, malícia,
sonhando acordada, cheia de sedução.
E, aos primeiros raios da manhã
de um começo de vida,
amei-te inteira.
Inteira te amei.
O MURO DA VERGONHA
Canções me falam de revolução.
Jornais em preto e branco
estampam todo o sangue
derramado por jovens de brio
durante a revolução estudantil.
Beatles, Stones, Dylan
Kerouack, Rimbaud, Leary e tantos outros
pregam novos costumes e posturas.
Festivais cantam velhos ideais:
liberdade, igualdade e fraternidade;
Falam em se acabar de vez
com as grandes diferenças do mundo.
Falam de liberdade,
paz de espírito e amor pela vida,
mas, a vida agradece, e se compadece
enquanto o mundo assiste a tudo
impassível, e por cima do muro
sem ter vontade de mudar...
Que mais pode o homem fazer,
para despertar o olhar crítico
que vem de dentro de toda hipocrisia
que ele mesmo ajudou a cultivar?
Que mais pode o homem fazer,
para combater sua própria incapacidade
de não querer enxergar um passo sequer
diante do seu próprio tempo?
As respostas parecem estar
esvairando-se pouco a pouco
com o passar dos tempos.
Porque, no fundo, no fundo,
nada mais somos do que
apenas mais um tijolo
revestindo o Muro da Vergonha
que, certamente, não é da Alemanha.
Ele existe em toda parte.
Jornais em preto e branco
estampam todo o sangue
derramado por jovens de brio
durante a revolução estudantil.
Beatles, Stones, Dylan
Kerouack, Rimbaud, Leary e tantos outros
pregam novos costumes e posturas.
Festivais cantam velhos ideais:
liberdade, igualdade e fraternidade;
Falam em se acabar de vez
com as grandes diferenças do mundo.
Falam de liberdade,
paz de espírito e amor pela vida,
mas, a vida agradece, e se compadece
enquanto o mundo assiste a tudo
impassível, e por cima do muro
sem ter vontade de mudar...
Que mais pode o homem fazer,
para despertar o olhar crítico
que vem de dentro de toda hipocrisia
que ele mesmo ajudou a cultivar?
Que mais pode o homem fazer,
para combater sua própria incapacidade
de não querer enxergar um passo sequer
diante do seu próprio tempo?
As respostas parecem estar
esvairando-se pouco a pouco
com o passar dos tempos.
Porque, no fundo, no fundo,
nada mais somos do que
apenas mais um tijolo
revestindo o Muro da Vergonha
que, certamente, não é da Alemanha.
Ele existe em toda parte.
PÁTRIA AMADA, IDOLATRADA E DESCORADA
A falta do que fazer
a falta do que dizer
a falta de vergonha
já não envergonha tanto.
Tanto quanto tolos
discursos esparsos
e juras e promessas
compressas na hipocrisia
que um dia elegeu o rei.
Hoje em dia, eu já não sei
se é mais decadente
aquele que mente
ou se é aquele que consente.
E a falta de coragem
da massa que se arrasta trôpega
na covardia de não lutar
já não faz mas falta.
O que falta, é vergonha na cara.
E assim, tudo se vê, nada se faz...
Corja indecente e sutil.
Pátria amada, idolatrada
e mãe gentil...
a falta do que dizer
a falta de vergonha
já não envergonha tanto.
Tanto quanto tolos
discursos esparsos
e juras e promessas
compressas na hipocrisia
que um dia elegeu o rei.
Hoje em dia, eu já não sei
se é mais decadente
aquele que mente
ou se é aquele que consente.
E a falta de coragem
da massa que se arrasta trôpega
na covardia de não lutar
já não faz mas falta.
O que falta, é vergonha na cara.
E assim, tudo se vê, nada se faz...
Corja indecente e sutil.
Pátria amada, idolatrada
e mãe gentil...
Versando - Um pequeno ensaio sobre a vida e outras coisas
III
admirável night
fantasmas elétricos aos cantos
letreiros luminosos.
Tudo fora de suspeita
todos fora de sí.
Admirável povo novo
admirável night
fantasmas elétricos aos cantos
letreiros luminosos.
Tudo fora de suspeita
todos fora de sí.
(retirado do poema Blues Urbano )
-o-
É preciso um olhar estrangeiro
intrépido, intrínseco,
para se olhar fora de sí mesmo.
Um olhar fora de sí mesmo.
Um olhar vindo de longe,
longe de qualquer indício de razão...
( introdução do Manifesto O conformismo da ignorância )
-o-
Estamos sempre, querendo ver
o que há do outro lado da colina
e esse instinto nos faz caminhar,
cada vez com mais determinação,
rumo ao horizonte desconhecido.
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